Segunda, 26 Março 2018 18:03

Alvaro Dias: “Brasil terá décadas de prosperidade se governo for mais Agro”

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Agrolink ouviu com exclusividade pré-candidato à presidência do Podemos
 

O Portal Agrolink entrevistou com exclusividade ao senador Alvaro Dias e ouviu as propostas para o Agronegócio do pré-candidato à presidência da República pelo partido Podemos. Confira:

 

 

Agrolink - Na sua opinião, qual é a importância do Agronegócio para o Brasil?

 

Alvaro Dias - Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE divulgou os dados da economia brasileira em 2017, e os recordes da produção agropecuária alavancaram o desempenho do país com um aumento de 13% a mais que o registrado em 2016. O campo contribuiu com 60% do crescimento da economia em 2017 e permitiu uma reação positiva.

 

Além de obter o maior crescimento registrado desde 1996, os agricultores garantiram uma oferta satisfatória de alimentos à população, o que contribuiu muito para a redução da inflação. Nesse mesmo ano, o aumento das exportações colaborou para o maior saldo comercial da história do país, de US$ 67 bilhões. Esse é o agronegócio brasileiro. Tenho plena consciência de sua importância e prioridade para o País. 

 

 

Agrolink - Eleito presidente, quais seriam as medidas mais urgentes e as mais importantes para o setor?

 

Alvaro Dias - É principalmente “depois da porteira” que vem a ação do Governo. Por exemplo, a redução das taxas de juros para financiar a produção deve ser um objetivo fundamental. O Brasil é um excelente pagador e não tem justificativa para um histórico de juros extremamente elevados como o que temos. Uma política consolidada de financiamento para a atividade agropecuária, como a que é praticada no resto do mundo, com juros mais baixos, faria com que inclusive sobrassem recursos para investir mais no seguro agrícola. A infraestrutura é um gargalo conhecido, inclusive a logística de armazenamento.

 

 

Construir um planejamento estratégico e uma política de investimento para esses setores, buscando ao máximo a construção de parcerias com o setor privado, são ações necessárias e fundamentais. Outro ponto fundamental é a disponibilização de infraestrutura espacial para o homem do campo conseguir se conectar. A conectividade no campo é fundamental para melhorar a condição de vida nas propriedades, facilitar o acesso às tecnologias e aumentar a renda dos agricultores, bem como atrair os jovens para o trabalho no campo. 

 

 

Agrolink - Como vê as relações comerciais com o Mercosul?

 

Alvaro Dias - Em alguns casos os principais problemas estão no âmbito doméstico, e estão relacionados ao custo de produção elevado que temos no Brasil. O custo de fungicida, herbicida, inseticida e fertilizante é bem menor na Argentina e no Uruguai, e em regra, salvo os fertilizantes, são produtos produzidos no Brasil e exportados para os países vizinhos. O estudo comparado foi feito pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul. Fundamental que se construa um ambiente de negócios que permita à indústria praticar no Brasil preços semelhantes ao que é praticado nos países do Mercosul.

Não sendo possível chegar a esse entendimento, uma outra alternativa seria permitir aos produtores a compra dos insumos onde for mais compensador dentro do Bloco. Outro ponto importante a ser encaminhado dentro do Bloco é a relevância da construção de acordos comerciais. Estamos patinando nessa pauta faz alguns anos.  

 

 

Agrolink - Qual é sua posição sobre a flexibilização do porte de arma para o homem do campo? 

 

Alvaro Dias - Eu nem usaria o termo flexibilizar, mas sim garantir um direito. Os proprietários rurais são pessoas responsáveis e tem todo o direito de ter armas em suas propriedades. Evidente que a segurança pública para o campo precisa estar presente na pauta de execução dos governos. Garantir o direito da população rural ao acesso a armas não significa deixar a segurança pública para o setor privado. 

 

 

Agrolink - Que medidas pretende adotar para facilitar o acesso ao crédito para o agronegócio?

 

Alvaro Dias - É fundamental para o setor produtivo que o Brasil comece a se inserir no grupo de países que praticam juros civilizados. Como já disse, o Brasil é um excelente pagador e continuará cumprindo seus compromissos com os títulos públicos emitidos. Todavia, como ocorre em qualquer mercado de capitais, as condições precisam ser bem negociadas. Com uma política de juros mais próxima da realidade, o crédito livre seria uma possibilidade real para os agricultores. Nos EUA, um agricultor com histórico razoável consegue taxas entre 2 e 3% no mercado.

 

 

Agrolink - Como vê a questão da Reforma Agrária, do respeito à propriedade e da compra de terras por estrangeiros?

 

Alvaro Dias - Em grande parte do território Brasileiro a reforma agrária já está sendo feita com o direito de sucessão. Além disso, não adianta distribuir terra e não oferecer assistência técnica, viabilizar acesso à tecnologia e a mercados. O respeito ao direito à propriedade é um dos pilares da sociedade, e isso é inegociável. Com relação à compra de terras por estrangeiros, entendo que para o estrangeiro investir na produção agropecuária no Brasil ele não precisa comprar a terra. Acredito que a propriedade da terra deveria ficar com os brasileiros.

 

Agrolink - Como pretende diminuir a burocracia e os atrasos na liberação de novas tecnologias de defesa vegetal?

 

Alvaro Dias - A agricultura e a pecuária de precisão são conceitos de gestão que utilizam técnicas digitais para controlar e otimizar os processos produtivos. Precisamos lançar mão desses conceitos e construir um governo de precisão. Não é aceitável que os registros e autorizações que dependem do Estado continuem na frequência analógica, em alguns casos até artesanal.

 

 

É fundamental que os processos de registro e autorizações ocorram dentro de um tempo razoável. Nos EUA e no Canadá o registro de um defensivo agrícola ocorre entre 1 e 2 anos, no Brasil esse registro não fica pronto em tempo menor que 6 ou 7 anos. O registro de uma patente no Brasil demora em média demora 11 anos, já o Japão gasta pouco mais de 1 ano na análise de cada patente.

 

 

Essa morosidade é um inibidor não só da inovação tecnológica, mas principalmente da inovação empresarial. Ninguém com o juízo no lugar investiria seu capital para desenvolver um produto e se submeter a esse tipo de peregrinação em busca de registros e autorizações.

 

 

Agrolink - O Sr. foi governador do Paraná, um dos principais estados brasileiros no agronegócio. O que pode destacar de suas realizações na área?

 

Alvaro Dias - Relembro o Projeto Paraná Rural, desenvolvido na minha gestão à frente do governo do Paraná e considerado pela FAO, como um modelo para o mundo. Há uma equivocada visão de considerar o homem do campo adversário da preservação dos recursos naturais. Trata-se de um enorme engano, o homem do campo é o maior amigo da natureza, pois vive dela e tem o maior interesse em vê-la preservada.

 

Para se ter uma agricultura sustentável é necessário ter um manejo sustentável e este foi o principal resultado do Paraná Rural, que organizou os produtores em associações por microbacias e, os tornaram artífices na construção da sustentabilidade. Isto porque seu principal foco era o manejo e conservação de solos e de recursos naturais em sistemas agrícolas, com grande ênfase para práticas de conservação de solos e introdução do sistema de plantio direto aumentando a participação popular no planejamento e execução de ações de governo nas áreas de assistência e extensão rural.
Merece destaque o incentivo ao sistema de plantio direto, que é hoje uma ferramenta fundamental para a conservação do solo, das nascentes e dos rios.

 

 

Agrolink - O que seria uma mensagem sua aos produtores e empresários do agronegócio? Como espera que o setor participe do processo eleitoral?

 

Alvaro Dias - De acordo com dados da FAO, o mundo deverá aumentar a produção em 60% para atender a uma população de 9,7 bilhões de habitantes até 2050. Serão necessários 2,8 bilhões de toneladas a mais. A estimativa é de que, desse volume, a Austrália contribua com 7%, o Brasil com 40%, Canadá e Estados Unidos com 15%, China e Rússia com 26% e União Europeia com 4%. O Brasil, que já é um grande concorrente no mercado internacional, grande exportador, tem um potencial incrível para crescimento nos próximos anos.

 

 

Com relação ao processo eleitoral, o produtor rural seguramente sabe da importância dessa eleição de 2018. O voto nessa eleição, mais do que nunca, precisa ser consciente e responsável, privilegiar o equilíbrio e assegurar um período próspero para o País. Muito do futuro do Brasil nos próximos anos dependerá dessa eleição. A escolha errada certamente aprofundará a crise brasileira e trará maiores dificuldades para todos, especialmente para as futuras gerações. 

 

Fonte: Agrolink