Terça, 03 Abril 2018 18:08

Oposição aos transgênicos é mais "ideológica e irracional que científica"

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Para Esther Samper, Mestre em Biotecnologia Biomédica pela Medizinische Hochschule Hannover
 

Apesar dos benefícios que produtos agrícolas geneticamente modificados podem trazer, boa parte da população mundial ainda nutre desconfianças em relação à transgenia. Para Esther Samper, Mestre em Biotecnologia Biomédica e Doutora em Engenharia de Tecidos Cardiovasculares pela Medizinische Hochschule Hannover, esse medo é mais "ideológico e irracional que científico" e decorre do desconhecimento dos avanços científicos e seus benefícios.

 

Um desses avanços foi a liberação da comercialização do "arroz dourado" na Austrália e Nova Zelândia. Samper afirma que a venda desse arroz é um marco histórico para a transgenia pois ele é geneticamente modificado para a produção de beta-caroteno e foi criado para combater a grave deficiência de vitamina A em muitos países.  "A deficiência de vitamina A é um importante problema de saúde pública (estimado em 250 milhões de crianças afetadas) e causa, entre outras doenças, cegueira, problemas durante a gravidez e o aumento do risco de doenças infecciosas", explica.

 

Apesar de ser livre de patentes e gratuito para fins humanitários, o "arroz dourado" ainda enfrenta obstáculos de implementação como o controle rigoroso de cultivo e consumo. Para a especialista, partidos políticos e organizações realizaram campanhas muito agressivas contra os cultivos transgênicos e disseminam ideias que dificultam ainda mais a disseminação de fatos concretos. "Atualmente há uma infinidade de linhas de pesquisa que estão desenvolvendo plantas transgênicas ou animais potencialmente benéficos para a saúde da humanidade", pontua.

 

Segundo Samper, pesquisas avançaram tanto nos últimos anos que plantas geneticamente modificadas já podem ser consumidas por pessoas alérgicas e a chamada "fármaco molecular" é promissora em desenvolver drogas e vacinas mais eficazes e baratas. Ao que tudo indica, é questão de tempo e informação para que a transgenia se inclua cada vez mais no cotidiano das pessoas.

 

 

Fonte: Agrolink