Segunda, 23 Novembro 2020 17:29

Milho e soja caros levam avicultores a descartar poedeiras em Pernambuco

Avalie este item
(0 votos)

A situação não é nova, já que não é de hoje que os produtores de ovos vêm sofrendo com os altos custos na produção. Desde março, início da pandemia, a situação vem se agravando e colocando o avicultor contra a parede. No entanto, recentemente o problema se agravou ainda mais, levando avicultores a tomar medidas drásticas, como a antecipação do descarte de aves ainda em produção.

 

O problema virou notícia na semana do dia 19 de novembro. Tanto a TV Globo Pernambuco como o site Notícias Agrícolas destacaram a situação dos avicultores de Pernambuco em matérias especiais sobre o assunto.

 

Na reportagem do Bom Dia Pernambuco/Globo, falam os avicultores Gerson Belo e Fernando Vilela, dois produtores de São Bento do Una, no agreste pernambucano, que se dedicam a produzir visando a qualidade de seus produtos, tanto que ambos já foram premiados no Concurso de Qualidade de Ovos do Nordeste: Gerson este ano, e Vilela em 2019.

 

Ambos estão descartando aves em seus planteis e explicam que essa foi a alternativa para enfrentar o problema dos altos custos dos insumos para ração. Há também produtores que estão fazendo o descarte na 75ª. semana de produção das aves, e, tendo condição, antecipando alojamentos, com a intenção de diminuir o consumo da ração, de milho e soja, numa tentativa de manter a produção equilibrada.

 

A granja de Fernando Vilela investiu em ampliação no início do ano mas agora não tem como alojar aves nos galpões novos. À reportagem da Globo, ele disse que muitas famílias ficarão desempregadas no país por causa dessa crise enfrentada pela avicultura de postura. “No começo do ano, estávamos pagando 43 reais o saco de milho; hoje estamos pagando na faixa de 74 a 76 reais. A tonelada de soja, que no início do ano custava 1.750, está custando 2.950”, comparou o avicultor ao repórter da TV. E completou: “Cheguei a empregar 60 pessoas; hoje restam 46.”

 

O site Notícias Agrícolas mostrou a situação, ouvindo o avicultor Gerson Belo, destacando a palavra de Edival Veras, vice-presidente administrativo da Avipe, a Associação Avícola de Pernambuco. Confira trechos da matéria:

 

“O alto preço dos custos de produção para a avicultura, em especial a de postura comercial, tem feito com que produtores de ovos de Pernambuco descartem parte do plantel para conseguirem se manter na atividade. Um deles, Gerson de Moraes Belo, premiado em 2º lugar em qualidade de ovos vermelhos no concurso que abrangeu a região Nordeste do Brasil em outubro deste ano, vai se desfazer de 40% das aves que possui.

 

Conforme nota da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), assinada pelo vice-presidente administrativo da entidade, Edival Veras, "até o momento, cerca de 3% do plantel do Estado de Pernambuco já foi descartado, com possibilidade de chegar aos 10%. A antecipação do descarte é uma alternativa na redução dos custos, em média de 70 a 85 semanas". Atualmente, de acordo com a Avipe, o Estado possui 17 milhões de aves alojadas, dois milhões sendo recriadas e 15 milhões em produção.

 

As razões apontadas pela entidade para o descarte das poedeiras passam pelos altos custos de produção, puxados pelos preços do milho e farelo de soja "que, nos últimos 12 meses dobraram de valor e juntos formam 80% do custo das rações", e também pela questão do mercado do ovo.

 

"O valor comercial do ovo não acompanhou a alta desses insumos e estão com prejuízos em torno de 30%. Exemplo: vende-se uma bandeja com 30 ovos por R$ 8,50, mas, o custo de produção está em R$ 13,00", disse Veras, em nota.

 

(...) A realidade dramática pela qual passam os avicultores pernambucanos é mostrada pelo produtor Gerson de Moraes Belo. Ele conta que já iniciou o descarte das poedeiras da Granja São Bento, da qual é proprietário, saindo de 66 mil aves alojadas para permanecer com apenas 25 mil, retração em torno de 40%. As aves,que antes eram descartadas entre 100 a 110 semanas de vida, quando já deixam de ser tão produtivas, agora saem da granja de Belo com 55 a 70 semanas, ainda com potencial produtivo.

 

"É um prejuízo incalculável, uma história que você viveu, se dedicou, e agora precisa se desfazer de quase tudo. Faz 40 anos que eu trabalho no mercado do ovo e 20 na criação de aves de postura. Há 120 dias venho trabalhando no vermelho, tentei empréstimo no banco, não consegui, e a opção foi fazer o descarte", disse.

 

Segundo Belo, que é avicultor independente, as aves descartadas são vendidas em feiras livres ou compradas por frigoríficos para fazer farinha de carne. " Mas o preço de venda das galinhas é baixo, em torno de R$5,00 a R 6,00, quando você tem um custo de R$20,00 para formar uma poedeira, além da infraestrutura da granja", afirmou.

 

Ele explica que atualmente, a saca de 60/kg de milho no Estado custa em torno de R$80,00, e o farelo de soja chega a R$2.950,00 a tonelada. Nas contas do produtor, em seis meses o preço da ração já subiu 200%, entretanto, o preço pago pelos ovos no mercado não acompanhou essa alta.”

 

Fonte: A Hora do Ovo