Segunda, 31 Maio 2021 17:54

Aves e ovos devem ter redução no abastecimento e mais alta de preços nos próximos meses

Avalie este item
(0 votos)

Está cada vez mais difícil para o brasileiro colocar proteína animal no prato. Alternativas para o alto preço da carne bovina, as aves, suínos e ovos também vão sofrer reajustes nos próximos meses. Pressionados pela alta de preço dos custos, especialmente do valor de milho e soja usados para ração, produtores já preveem redução no nível de abastecimento. Por este motivo, pedem uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para discutir, entre outros temas, a liberação do imposto de importação dos insumos de países fora do Mercosul.

 

O milho e a soja, insumos que compõem 70% dos custos de produção, acumulam altas. No caso do milho, houve registros superiores a 100%. No caso da soja, as elevações acumularam mais de 60% em relação ao mesmo período de 2020, segundo a Embrapa. Em 12 meses, produzir frango está 39,79% mais caro em relação a abril de 2020. O IGP-M de maio divulgado nesta sexta, mostra avanço de 5,23%. O milho subiu de 8,70% para 10,48%.

 

Os efeitos já alcançam o consumidor. De acordo com o IPCA do IBGE, o acumulado de 12 meses mostra alta de 12,08% no preço das aves e ovos, e de 30% na carne de suínos.

 

- Com a alta do dólar, os insumos da ração passaram a ser mais exportados, reduzindo sua quantidade no mercado brasileiro e como consequência tendo uma alta nos preços no Brasil- afirma Murilo Scarpa, diretor comercial do Grupo Mantiqueira, um dos maiores produtores de ovos do país.

 

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, toda alta com os insumos não foi passada para o consumidor porque os grãos usados hoje foram adquiridos no ano passado, quando o preço da tonelada estava menor.

- Não há risco de desabastecimento, mas de diminuição da oferta. O produtor está trabalhando com margem negativa e alguns fecharam seu aviário e vão voltar a produzir quando o milho voltar a um preço razoável. Começam a aparecer casos de empresas que estão demitindo, e outros optando por férias coletivas para diminuir o prejuízo – afirma.

 

Santin lembra que hoje o concorrente externo compra milho brasileiro mais barato que o produtor nacional. E mesmo com a queda do preço do commoditie no mercado internacional nos últimos dias, o preço praticado por aqui não reduz. Para o presidente da ABPA, “há muita especulação”.

 

Por isso, além da isenção do imposto, a associação pede a criação de sistema oficial de informação antecipada sobre exportações futuras de grãos, para assim dar mais transparência ao mercado de insumos. Solicitam ainda isenção de PIS/Cofins sobre as transações nacionais de compra de ração.

 

O consumo de ovo do Brasil vem aumentando na última década, assim como a produção. No país, são produzidos 1500 ovos por segundo. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) , há 20 anos, o consumo per capita de ovos no Brasil era de 94. Há 10 anos aumentou para 148 e, no ano passado, foi de 251 ovos.

 

Para Murilo Pinto, do Mantiqueira, nos últimos anos, o produto perdeu o status de vilão: foi desconstruído o mito de que o produto fazia mal para a saúde e era responsável pelo aumento na taxa de colesterol. Já neste ano, a compra está sendo estimulada pelo a alta no preço das proteínas de origem animal, em especial da carne vermelha, aliada à redução do poder de compra (causado pela crise econômica provocada pela pandemia).

 

- A falta de dinheiro do consumidor aliada com inflação alta gera um problema e sentimos isso no chamado giro dos produtos no mercado. A segunda quinzena do mês é sempre mais fraca de venda. O que a gente vê é que esta quinzena está ‘se antecipando’. O movimento começa a ficar enfraquecido já no dia 10 – diz Scarpa.

 

Produto muito perecível, a exportação nem sempre é o caminho mais viável para escoamento de produção. No caso da Mantiqueira, 2% a 10% dos ovos são exportados.

 

- A grande questão é que o mercado do ovo não é tão aberto para exportação como para outros setores. No caso do Brasil, pode-se exportar para o Oriente México, Japão, África, por exemplo. Estamos estudando exportação para o Chile. Muitas pessoas olham com um setor glamour para a exportação, mas o mercado mundial, assim como o nosso, ainda está sofrendo com as consequências da Covid.

 

Fonte: O Globo