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Após um ano de desafios, a perspectiva é de recuperação para a suinocultura
Publicado em: 07 Ago 2020

O mercado de grãos movimenta diferentes cadeias do agronegócio e o planejamento estratégico é essencial para os resultados. Pensando nisso, a consultora DATAGRO realizou durante os dias 5 a 7 de agosto seu primeiro evento digital “Abertura de Safra Grãos – Soja, Milho e Algodão 2020/21”. Entre sua programação, destaca-se o painel voltado para o mercado de carnes, nesta sexta-feira (7), que contou com a participação do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, que dividiu representou a cadeia suinícola junto ao diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
Marcelo iniciou sua apresentação falando sobre o mercado externo, e as crescentes demandas de exportação para a China, um dos fatores que tem contribuído para a alta do preço do suíno no Brasil. Segundo ele, mesmo em um cenário de pandemia, a exportação tem batido recordes, mas esse não é o único fator que afeta o valor do produto final. “A alta também no preço do milho, e da soja, impactam nos custos da produção, e esse é um desafio.”
Ele aproveitou também, a ocasião para falar um pouco sobre o trabalho da ABCS em se comunicar com o consumidor. “No Brasil temos muito cuidado com a nossa produção, que é segura e tem qualidade. Aqui entra o trabalho da ABCS, realizado principalmente com o varejo, para se comunicar com o consumidor. Quando você conversa com o varejo, consegue perceber as demandas dos clientes, que estão muito ligadas agora ao uso racional de antibióticos. Pensando nisso, estamos trabalhando por uma resolução normativa de bem-estar animal, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para dar segurança jurídica aos produtores.”
Ainda sobre a comunicação com o varejo, Marcelo citou a iniciativa da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), que este ano, será realizada de primeiro a 15 de outubro. “Através da criação da Semana Nacional, conseguimos levar treinamento e informação sobre a excelência da carne suína para os colaboradores do varejo. Para que depois, eles possam transmitir isso aos consumidores. No ano passado levamos vários trabalhadores de açougues para conhecer as granjas, e ver como funcionava a produção. Eram pessoas que estavam a anos trabalhando com isso, e não tinham conhecimento de onde vinha esse produto. Nossas experiências têm sido excelentes. Este ano os treinamentos da Semana acontecem de forma virtual e todas as grandes redes de varejo estão conosco. Já fica aí o convite para que vocês acompanhem.”
E para encerrar, um dos temas levantados, foi a questão do novo coronavírus e o trabalho realizado pelo agronegócio, para que não houvesse desabastecimento no país, mantendo ainda a segurança das pessoas que estão ligadas diretamente ao setor. Marcelo atribui esse feito principalmente ao trabalho pautado na disseminação de informações e prevenção em todos o setor. “Fizemos um trabalho muito forte em relação a prevenção de covid-19 em todos os elos da cadeia, frigoríficos, granjas e suinocultores. A ABCS produziu diversos materiais de prevenção. São várias cartilhas de orientação que estão prontas e disponíveis no site da Associação.”
O diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin, abordou o histórico das exportações brasileiras de proteína animal com foco no frango, suíno e ovos e frisou a importância da parceria da Ásia no momento atual. Segundo ele, esse mercado tem crescido. “Não só as exportações brasileiras de carne suína, mas também de outras proteínas como a bovina aumentaram seus volumes embarcados para o mercado asiático. O share aumentou em 4%”, explicou. Ele também se mostrou otimista com relação a relação Brasil e China mesmo com a recomposição do rebanho do país asiático, prevista para 2025, após a epidemia de peste suína africana que ocorre desde 2018.
Sobre o evento
A DATAGRO é uma consultora, que produz análises e dados primários sobre as principais commodities agrícolas. “A ideia da conferência é apresentar em um único espaço de debates as projeções para todos os temas relevantes para a tomada de decisão de todos os agentes desse importante segmento do nosso agronegócio, como é o caso do mercado de insumos, cenário econômico, expectativa de produção, consumo, perfil de preços e também de comercialização para esses três produtos”, destaca Flávio França Júnior, Chefe do Setor de Grãos da DATAGRO.
Após um ano de desafios, a perspectiva é de recuperação para a suinocultura
Publicado em: 16 Dez 2020

2020 foi um ano de destaque para a suinocultura no quesito exportação. Em setembro, o acumulado exportado já havia superado todo o volume de 2019. Em novembro, foram contabilizadas 828,8 mil toneladas de carne in natura (Tabela 1), sendo quase 55% deste total foi vendido para a China. Até o fim do ano, projeta-se fechar o balanço de 2020 com 900 mil toneladas embarcadas de carne in natura, quase 40% a mais que em 2019. Se somar a carne processada, ultrapassaremos a marca histórica de 1 milhão de toneladas.
Este aumento nas exportações ajudou a enxugar o mercado, visto que o crescimento da produção em 2020 está sendo bastante expressivo, conforme os dados de abate do terceiro semestre, revisados recentemente pelo IBGE (tabela 2), que demonstram um crescimento de quase 9% no volume de carcaças produzidas de janeiro a setembro de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado. Sobre estes dados pode-se projetar que a suinocultura deverá encerrar o ano com consumo per capita anual também recorde, mostrando uma importante evolução no consumo doméstico desta proteína, apesar dos problemas enfrentados ao longo do ano e sendo a única carne com crescimento consistente da produção, algo que vem se repetindo ao longo dos últimos anos em relação às demais proteínas.
Saiba mais em http://abcs.org.br/noticia/2020-trouxe-crescimento-da-producao-de-suinos-exportacoes-recordes-e-precos-com-fortes-oscilacoes/