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30 Sep

Com a aproximação do último trimestre do ano, preço pago ao produtor dá sinais de reação, mas pressão dos custos agrava prejuízos

Publicado em: 30 Sep 2026

Com a aproximação do último trimestre do ano, preço pago ao produtor dá sinais de reação, mas pressão dos custos agrava prejuízos
Fonte: CEPEA.


A sobreoferta de carne suína no mercado doméstico, que tem castigado o produtor independente desde o início do ano, fez com que os preços do suíno vivo e das carcaças despencassem de forma contínua, chegando a uma situação inusitada no mês de setembro com a cotação da carcaça de frango no atacado superando o preço da carcaça suína (gráfico 1).

Gráfico 1. Preço médio mensal da carcaça suína especial e da carcaça de frango resfriado no atacado de São Paulo desde jan/24, em R$/kg, pela cotação do CEPEA.
Destaque para o preço médio de setembro (até dia 18/09), com a carcaça de frango a R$7,81 e a suína a R$ 7,42.
Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do CEPEA.

Porém, se analisarmos os movimentos do mercado nos últimos dias (gráfico 2), há um sinal de reação nas cotações do suíno vivo e da carcaça, que, embora ainda tímido parece consistente, visto que não ocorre na primeira semana do mês, quando a entrada dos salários aumenta a procura. Esta reação pode estar relacionada com a proximidade do último trimestre, época em que tradicionalmente a demanda aumenta. Não só os preços praticados, mas também as principais bolsas estaduais apresentaram reação nos valores de referência estabelecidos para a semana de 21 de setembro.

Gráfico 2. Indicador DIÁRIO CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, dos últimos 30 dias úteis, até dia 18/09 (em destaque).

Se por um lado o preço do suíno apresenta viés de alta, por outro o preço dos principais insumos, milho e farelo de soja, também vêm subindo, com o milho chegando a 70 reais a saca de 60kg em Campinas (SP), e o farelo de soja ultrapassando os 2 mil reais por tonelada em estados produtores deste insumo (gráficos 3 e 4).

Gráfico 3. Preço médio mensal do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 12 meses; média de setembro até dia 18/09.
Fonte: CEPEA
 
Gráfico 4. Cotação média do farelo de soja (R$/tonelada) no estado de Goiás e Nacional dos últimos 12 meses, com destaque para a cotação de setembro (média até dia 18/09).
Fonte: Agrolink (https://www.agrolink.com.br/cotacoes/historico/go/farelo-de-soja-1ton)
 

Mas afinal, mesmo com safra recorde de milho e soja no Brasil na temporada 2025/26 e com estoques relativamente seguros destes grãos, por que esta alta observada nos últimos meses? A resposta está muito mais no futuro do que no presente. A expectativa de El Niño extremo para a safra 2026/27, além do nível de endividamento dos agricultores brasileiros, têm “antecipado uma precificação” para a próxima temporada. Por este motivo, qualquer movimento (alta ou baixa) das cotações dos grãos e seus derivados pode ocorrer nos próximos meses, dependendo do clima e do estabelecimento da safra brasileira. Ainda tem a colheita da safra estadunidense, recém iniciada, e que pode trazer mais ou menos pressão nos preços internacionais destas commodities no curtíssimo prazo. A consequência deste cenário de encarecimento dos principais insumos da atividade suinícola é o prejuízo contabilizado desde o início do ano pelos suinocultores independentes (tabela 1), prejuízo este que hoje já beira os 2 reais por quilograma produzido em algumas praças.

Tabela 1. Custos totais (ciclo completo – suinocultura independente), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a agosto/2026, média acumulada de 2026 e a média anual de 2024 e 2025.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno)
 

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com oferta elevada de carne suína a crise do setor se prolonga e mostra situações inusitadas, como o fato de o frango estar mais caro do que o suíno no atacado. “Para agravar a situação dos suinocultores, os principais insumos da atividade têm encarecido significativamente nos últimos meses, aumentando ainda mais o prejuízo da atividade. O que pode amenizar a crise nos próximos meses é a maior demanda de fim de ano e parece que ela já se manifesta alguns dias antes de entrarmos no último trimestre”, conclui. 

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FONTE: ABCS

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