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Entidades sobem tom e pedem fim da paralisação
Publicado em: 29 Mai 2018
Nos últimos dias, diversas entidades se manifestaram pedindo o fim da paralisação dos caminhoneiros, que atinge a população e o setor produtivo
Apesar do acordo feito entre o governo federal a entidades representantes dos caminhoneiros, os bloqueios a rodovias permanecem em grande parte do País. Levantamento feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) junto a associados aponta que caminhões com rações, insumos para a produção da alimentação animal (como milho e soja) e outros produtos são impedidos de circular em mais de 300 pontos de 22 estados pelo País.
Além dos bloqueios, afirma a entidade, há relatos de ameaças a motoristas que tentam deixar a paralisação. Enquanto isso, a mortandade de animais continua crescendo nos polos produtivos brasileiros. Segundo a associação, já são quase 70 milhões de aves mortas. Os prejuízos atingem também as exportações, uma vez que em torno de 120 mil toneladas de carnes de frango e suína deixaram de ser embarcadas desde o início da greve.
“Os animais mortos são colocados em composteiras nas próprias propriedades, mas o sistema já está no limite. O risco ambiental e de saúde pública é crescente”, afirma a ABPA em nota. O alerta é de que cerca de 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos ainda estão em risco de morte como consequência direta dos bloqueios.
Escolta de produtos
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também subiu o tom, em nota enviada à imprensa. A CNA afirma que pediu ao governo, por meio de ofício enviado na segunda (28), a “intensificação da escolta” para o transporte de produtos perecíveis (carnes, leite, frutas e hortaliças), carga viva e insumos para alimentação de animais (rações) em todo o País.
No documento enviado aos ministros Raul Jungmann (Segurança Pública) e Joaquim Silva e Luna (Defesa), o presidente da CNA, João Martins, afirma que a Confederação é “sensível ao momento delicado em que o País se encontra e a importância das políticas públicas para a melhoria das condições dos transportes e a qualidade de vida do motorista”, mas que a “produção agropecuária já acumula prejuízos, nos oito dias de protestos, que ultrapassam bilhões de reais”.
A entidade pede urgência e prioridade para a escolta dos produtos perecíveis e insumos para evitar a continuidade da morte “de milhões de animais e o desabastecimento da sociedade brasileira”. “Os danos causados ao setor agropecuário estão tomando proporções irreparáveis, sob o ponto de vista econômico, social e ambiental".
Efeitos colaterais
Outra entidade a se manifestar foi a Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic). Em comunicado à imprensa, a entidade aponta que as causas da paralisação eram legítimas, mas que a última proposta do governo contemplou tudo o que era possível atender “no limite do que as condições fiscais e orçamentárias da União permitem”.
Mesmo assim, a paralisação não foi interrompida e seus efeitos colaterais afetam todo o País, desde a população desabastecida até o setor produtivo. “A maior preocupação reside nas áreas de aves e suínos, setores reconhecidos mundialmente pela alta qualidade e pelas excepcionais condições sanitárias”, diz a nota. Segundo a entidade, milhares de produtores rurais e centenas de pequenas e grandes indústrias de processamento de carnes estão sendo duramente afetados.
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