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Números do IBGE reforçam a força da avicultura e suinocultura capixaba no cenário nacional
Publicado em: 08 Oct 2026
Avicultura capixaba ganha destaque nacional com recordes na produção de ovos e força na cadeia de frango
O Espírito Santo volta a ganhar destaque no cenário nacional com os resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no dia 30 de setembro passado.
Os dados mostram a dimensão de uma atividade que tem em Santa Maria de Jetibá um dos seus principais pólos nacionais. O município capixaba manteve a liderança brasileira na produção de ovos, com 352,5 milhões de dúzias produzidas em 2025, segundo a pesquisa.
Santa Maria de Jetibá também aparece no topo do ranking nacional de efetivo de galináceos, com 18,4 milhões de aves. O número representa um acréscimo de mais de 890,5 mil animais em relação a 2024. Desse total, 15,1 milhões são galinhas, destinadas à produção de ovos.
Os resultados municipais acompanham um movimento de expansão da produção brasileira. Em 2025, o país alcançou 1,6 bilhão de galináceos, crescimento de 1,6% em relação ao ano anterior. O efetivo de galinhas chegou a 293,3 milhões, alta de 5,8%.
De acordo ainda com a PPM, do IBGE, na produção de ovos, o Brasil também registrou um novo recorde: 5,7 bilhões de dúzias, crescimento de 5,7% em relação a 2024. O valor da produção alcançou R$36,4 bilhões, alta de 13,9%. A produção brasileira mantém trajetória de crescimento desde 1999.

SANTA MARIA DE JETIBÁ: UMA LIDERANÇA CONSTRUÍDA AO LONGO DO TEMPO
A liderança de Santa Maria de Jetibá é resultado de uma cadeia produtiva consolidada, construída ao longo de décadas e marcada por investimentos em tecnologia, genética, nutrição, manejo, sanidade, automação e profissionalização da atividade.
Além da estrutura produtiva, existe uma rede formada por produtores, famílias, trabalhadores, técnicos, médicos-veterinários, zootecnistas, fornecedores, empresas de insumos, classificação, transporte e distribuição.
Para a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES), os números ajudam a dimensionar a importância que a avicultura de postura alcançou no município e no Estado.
O desempenho do município também está inserido em um cenário de crescimento nacional. Dos 5.455 municípios brasileiros que registraram produção de ovos em 2025, Santa Maria de Jetibá ficou em primeiro lugar, seguida por Bastos (SP), São Bento do Una (PE), Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG).
O diretor executivo da AVES, Nélio Hand, diz que “mesmo sendo esse número apresentado pela PPM menor do que os cálculos realizados pela AVES, com base em dados do setor de postura comercial brasileiro, mostrando que a produção de Santa Maria de Jetibá foi de 392,6 milhões de dúzias em 2025, o município e o Estado do Espírito Santo mostram a sua relevância no mercado nacional. A produção de ovos em todo e estado, conforme cálculos da AVES, foi de 5,26 milhões de unidades”, destaca.
OVO E FRANGO: DUAS CADEIAS QUE FORMAM A AVICULTURA CAPIXABA
Os números da PPM também ajudam a compreender uma diferença importante dentro da própria avicultura.
O IBGE utiliza o termo galináceos para abranger todos os animais da espécie Gallus gallus, independentemente de idade ou sexo. Portanto, o indicador inclui galinhas poedeiras, frangos de corte, galos, frangas e outras categorias. Assim, o número de galináceos não deve ser interpretado como sendo exclusivamente o efetivo de frangos destinados ao abate.
No Espírito Santo, a avicultura reúne tanto uma cadeia de postura de destaque nacional quanto uma importante atividade de produção de frango de corte. De acordo com levantamento da AVES, em 2025 o Estado registrou uma produção 122 mil toneladas de frango abatido.
Embora com expressão pequena diante do mercado nacional, o segmento possui relevância para o mercado capixaba, para onde é destinado 76% do frango que é produzido aqui. Outros estados, especialmente Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, absorvem cerca de 21%. O Estado ainda exporta 3% de sua produção para outros países: Hong Kon, Congo, Singapura, Guiné, Suriname, Serra Leoa, África do Sul e Angola.
Nélio destaca que o frango de corte tem um peso importante dentro da avicultura capixaba, tanto pela produção de alimentos quanto pela geração de emprego e renda ao longo de toda a cadeia.
“Para a AVES, esses números da produção de ovos e de frango também representam o trabalho de centenas de produtores e profissionais que, diariamente, mantêm uma atividade que tem importância econômica e social para o município e para todo o Espírito Santo. São segmentos complementares, com características próprias, mas igualmente importantes para a geração de alimentos, renda, empregos e atividade econômica no Estado”, ressalta.

SUINOCULTURA CAPIXABA
A PPM também mostrou que a produção de suínos capixaba foi de mais 160 mil cabeças animais em 2025. A produção brasileira ficou em aproximadamente 44,0 milhões de cabeças, mostrando estabilidade em relação ao ano anterior, segundo o IBGE. Estabilidade também mostrada no quantitativo de matrizes que foi de cerca de 5 milhões de animais.
Segundo Nélio Hand, que também é diretor executivo da Associação de Suinocultores do Espírito Santo (ASES), o número apresentado na PPM para o Estado do Espírito Santo, também é menor em relação aos números locais. “Dados apurados a partir dos volumes abatidos registrados junto ao órgão estadual competente, mostram que a produção foi maior que 350 mil animais”, afirma.
SETORES CAPIXABAS ESTÃO AVANÇANDO, MAS COM ATENÇÃO PERMANENTE AOS DESAFIOS
O avanço da produção também vem acompanhado de desafios para os produtores.
Entre os principais pontos de atenção estão os custos de produção, especialmente alimentação e logística, a manutenção da sanidade dos plantéis, as oscilações de preços e o equilíbrio entre oferta, demanda e remuneração ao produtor. “O principal desafio hoje é manter a competitividade da produção diante de custos que podem oscilar bastante e de um mercado que nem sempre acompanha essa variação”, observa Nélio Hand.
A alimentação é um dos pontos de maior atenção, especialmente porque milho e farelo de soja têm peso importante na composição do custo da ração. No caso do Espírito Santo, existe ainda uma questão logística: o Estado depende de milho vindo de outras regiões produtoras, o que pode aumentar a exposição dos produtores aos custos de transporte e às oscilações de preços.
Outro desafio é o equilíbrio entre custo de produção e preço recebido pelo produtor. Os dados mostram, por exemplo, oscilações importantes no preço médio recebido pelo produtor de frango, ovos e suínos ao longo de 2025.
A sanidade também é uma prioridade permanente. A avicultura trabalha com protocolos rigorosos de biosseguridade e precisa manter vigilância constante para prevenir doenças como a influenza aviária. Isso exige investimento contínuo em controle de acesso às granjas, higienização, manejo, monitoramento e treinamento das equipes.
Na suinocultura não é diferente, o país vive em constante alerta em relação à incidência de doenças que ocorreram no Nordeste, bem como as ocorrências que são relatadas por outros países. E o produtor capixaba busca fazer a sua parte para proteger a sua produção.
Para o produtor, portanto, não basta produzir mais. É necessário produzir com eficiência, qualidade e segurança sanitária, buscando ganhos de produtividade e agregação de valor, ao mesmo tempo em que se acompanha o comportamento do mercado.
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